quinta-feira, 30 de julho de 2009

Sporting 0-0 Twente

O Sporting vai ter muitas dificuldades para entrar pela quarta época consecutiva na Liga dos Campeões. Não tanto pelo empate a zero que não foi capaz de desfazer ante os holandeses do Twente, ontem, em Alvalade, mas porque o adversário mostrou, enquanto teve onze jogadores, uma velocidade e uma organização muito superiores às de um leão ainda frouxo, preso de movimentos e de ideias e com vários jogadores em sub-rendimento. E quando um desses jogadores é Liedson, já se percebe a amplitude do problema.
Quem visse os primeiros 20 minutos de jogo vestido de verde e branco tinha tudo para ficar assustado com os raides de Stoch na direita, as diagonais de Ruiz da esquerda para o meio ou a capacidade de Perez para aparecer sempre onde os médios leoninos não o esperavam. Nesse período, o Twente teve duas ocasiões de golo, pediu um penálti (possivelmente com razão) e, sobretudo, impediu o Sporting de jogar. Paulo Bento organizava a equipa num 4x3x1x2 diferente do 4x4x2 da época passada, sobretudo porque Matías é um 10 que explora muito mais os terrenos interiores. Mas de pouco serviam as qualidades do chileno porque a equipa não conseguia ter a bola. A inversão do sentido do jogo deu-se aos 19' com um grito de revolta de Veloso, a léguas o melhor jogador do Sporting no jogo de ontem. O remate de ressaca do médio-centro empolgou a equipa, embora fique por saber-se se resultaria em algo se, cinco minutos depois, os leões não tivessem beneficiado de um penalti caído do céu. É verdade que a forma de defender do Twente só era asfixiante porque os holandeses o faziam muito à frente e que isso comporta riscos, pois obriga a defesa a jogar muito subida. Daí que um ressalto ganho por Moutinho a meio-campo tenha isolado Postiga, que foi derrubado na área. A expulsão do guarda-redes e a saída de Perez para entrar o guardião suplente resolveram um dos problemas ao Sporting: com dez, o Twente baixou linhas e só voltou a aproximar-se da baliza de Rui Patrício aos 76'. A questão é que, embora o jogo tenha passado a ser de sentido único e o Sporting pudesse perfeitamente ter feito um ou mais golos, aí se viram os problemas de que ainda padece a equipa de Paulo Bento. Primeiro, um mau momento colectivo, tanto a nível físico como de organização táctica, onde muitas vezes se viram dois jogadores a correr à mesma bola, sem ninguém a desmarcar-se, e onde se perderam os tradicionais três para dois no bico da área, que a equipa fazia com Romagnoli, o lateral e o interior de cada lado. O resultado foi uma ideia que não servia para este jogo: bola no flanco, do ala para o lateral, e cruzamento por alto para onde estavam já três centrais (Wisgerhof juntava-se muitas vezes a Douglas e Rajkovic) e dois médios holandeses. Em toda a partida, os leões terão ganho uma ou duas bolas altas na área. Depois, o facto de haver jogadores ainda em rendimento mínimo: Liedson viu-se pouco, ao contrário dos dois laterais, Pedro Silva e Caneira, que se viram muito mas pela negativa. A ponto de se pensar que faltam soluções para as duas posições no plantel.

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